Cruzeiro: Rei de Copas

outubro 13, 2009

Em um tipo de competição específica, mais do que em outras, o Cruzeiro é o terror dos seus adversários. Nas copas, disputadas predominantemente em mata-matas, o clube celeste conquistou boa parte de seus títulos mais importantes e emocionantes, escrevendo “páginas heroicas imortais” de sua história.

O jornalista Alexandre Simões reuniu as histórias das 11 maiores Copas conquistadas pelo Cruzeiro ao longo de sua trajetória na obra “Rei de Copas”, livro-memória do time de Belo Horizonte na coleção do selo Paixão entre Linhas.

Os bastidores e detalhes das conquistas são contados pelos principais protagonistas das mesmas. Assim, há desde Tostão, que fala sobre a Taça Brasil de 1966, os Palhinhas, que narram os triunfos nas Libertadores de 1976 e 1997, até Alex, o craque da vitória na Copa do Brasil de 2003.

Nesta entrevista, o autor de “Rei de Copas” fala sobre a origem italiana do Cruzeiro, as mudanças no período da 2ª Guerra Mundial, os jogos e títulos mais emocionantes do clube e suas surpresas na elaboração do livro.

E confira abaixo a capa aberta do livro “Rei de Copas”. Vá ao nosso Flickr e veja a capa ampliada.

O que faz do Cruzeiro um clube diferente de todos os outros? Por que o torcedor da Raposa deve ter orgulho de seu clube?

O Cruzeiro tem história. Seus rivais têm tradição. O Palestra Itália nasceu como um clube restrito à colônia italiana de Belo Horizonte. E permaneceu assim entre 1921 e 1925. Os italianos que vieram para Belo Horizonte eram pessoas simples, operários que trabalharam na construção da cidade. A aristocracia era americana e atleticana. América e Atlético já nasceram grandes e durante as suas trajetórias receberam inúmeras ajudas governamentais. O Cruzeiro se fez sozinho e o final da história é a eleição de maior clube brasileiro do século 20 pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS).

Cite um jogo inesquecível na trajetória do Cruzeiro.

Entre os que não vi foram os 6 a 2 sobre o Santos, de Pelé, no Mineirão, na decisão da Taça Brasil de 1966, quando o Cruzeiro quebrou a hegemonia santista na competição. Entre aqueles que presenciei foram os 3 a 0 sobre o River Plate, da Argentina, na partida de volta da final da Supercopa de 1991. Aliás, no Rei de Copas tem um relato emocionante e impressionante do Adilson sobre este jogo.

Quais os maiores ídolos da história do clube?

No período de Palestra Itália foi sem dúvida Niginho. No Independência, Rossi, que inclusive era o ídolo dos garotos Dirceu Lopes e Tostão, que abrem a lista do Mineirão, que conta ainda com Raul, Palhinha, Nelinho, Joãozinho, Ronaldo, Dida, Sorín, Alex e mais um monte de gente

No processo de elaboração do livro, houve alguma informação sobre o clube que o surpreendeu?

O Rei de Copas é voltado exclusivamente para a história das 11 maiores Copas conquistadas pelo Cruzeiro. Mas como citei acima, o Adilson, hoje técnico do time, garantiu que quando saiu o terceiro gol sobre o River Plate, na final da Supercopa de 1991, o gramado do Mineirão tremeu com a vibração da torcida. Anos depois, trabalhando no Japão, ele sentiu sensação parecida em terremotos.

Qual o episódio mais curioso da história do Cruzeiro?

Em 31 de agosto de 1942, um decreto federal exigiu a extinção de símbolos das nações inimigas do Brasil, entre elas a Itália. O presidente da época, Ennes Cyro Pony, marcou uma assembléia para a escolha dos novos nomes e uniformes do Palestra Itália, mas decretou que até lá o time se chamaria Ypiranga, numa homenagem à Independência do Brasil. Os conselheiros preferiram a sugestão de Oswaldo Pinto Coelho, que sugeriu Cruzeiro Esporte Clube e o azul e o branco, por causa do Cruzeiro do Sul, constelação símbolo da pátria. Após a escolha, Pony renunciou e a mudança só aconteceu, oficialmente, em 1943, quando a Federação Mineira de Futebol (FMF) aprovou o novo estatuto do clube.

Para terminar, o que acha da dobradinha entre futebol e literatura?

O futebol é a maior manifestação cultural do Brasil. E tem uma história muito rica, desconhecida da maioria absoluta da população pela falta de tradição do país na literatura esportiva. Toda e qualquer iniciativa de se levar ao torcedor conhecimento sobre clubes, ídolos, competições, tem de ser elogiada, pois neste resgate da memória estamos reconhecendo e homenageando aqueles que ajudaram a transformar o futebol numa das principais indústrias do mundo, algo que só foi possível justamente pela paixão que o esporte exerce sobre as pessoas.

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