Torcedor-símbolo do Grêmio morreu ontem, aos 83 anos

março 2, 2010 at 3:01 pm Deixe um comentário

Desde ontem à noite, onde quer que esteja o Grêmio, será um Grêmio mais triste. Morreu ontem Salim Nigri, um homem cuja história se confunde com a do clube que amou durante todos os dias de seus 83 anos de vida. Deixa uma filha, dois netos e milhões de gremistas órfãos.

Internado no Hospital de Clínicas no dia 18 de fevereiro, após ser vitimado por um acidente vascular cerebral (AVC), Salim não resistiu. O coração parou de bater, e ele foi habitar o panteão azul.

Era noite alta quando a gigantesca bandeira tricolor desceu até o meio mastro no Olímpico. Desfraldada ao vento forte da noite, serviu de moldura para o velório realizado no salão nobre do Conselho Deliberativo a partir das 22h30min.

O corpo será cremado hoje no Crematório Metropolitano, em cerimônia restrita aos familiares, por volta do meio-dia. A homenagem no estádio, além de uma imposição histórica pelo que significou para o Grêmio, era também um pedido de Salim.

— Ele queria ser velado no Grêmio, com a bandeira do Grêmio. Também queria ser cremado. Assim será feito — disse a filha, Vera Lúcia.

Salim vivia na cegueira havia 47 anos. Dono de uma memória prodigiosa, uma imaginação fértil e um bom humor contagiantes, Salim inventou um símbolo azul entre outras proezas. O refrão do hino é dele. Em 1946, já como torcedor símbolo, pintou em letras brancas numa faixa azul a seguinte frase: “Com o Grêmio, onde estiver o Grêmio”. A genialidade do compositor Lupicínio Rodrigues facilitou a rima com uma leve inversão na ordem da sentença. Pronto: um pedaço da imortalidade azul estava pronta em um verso singelo e demolidor.

— Me emociono só de falar nele. Era um gremistaço. Ao menos uma vez por semana me ligava para falar sobre o Grêmio. Aprendi muito — suspirou o presidente do clube, Duda Kroeff.

Bruna, neta de Salim, nasceu no dia do aniversário do Grêmio, há 23 anos. Rodrigo, 21, o outro neto, nasceu e ganhou uma carteira de sócio providenciada pelo avô.

— A saúde dele estava ótima, com aquele sorriso de sempre. Fomos pegos de surpresa — lamentou Vera.

Salim chegou a conviver com nomes como Lara, Luiz Luz, Foguinho e Luiz Carvalho, sobre quem ele passou a vida contando histórias.

Fonte: Zero Hora

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