Posts tagged ‘Alexandre Simões’

Atlético: torcendo contra o vento

“Se houver uma camisa branca e preta pendurada num varal durante a tempestade, o atleticano torce contra o vento”. Roberto Drummond, um dos mais ilustres torcedores do Galo e um dos que mais escreveu sobre o clube, é o autor da célebre frase.

Mas não só (como se já não bastasse). O Atlético era o assunto principal do autor de Hilda Furacão, entre outros sucessos literários, na coluna “Bola na Marca”, no jornal Estado de Minas. E assim foi de 1° de junho de 1969 a 21 de junho de 2002, quando nos deixou.

Roberto Drummond teve interrompido também seu sonho de publicar um livro sobre o Atlético. Sonho que aliás estava próximo, já que ele havia sido convidado para escrever a obra sobre o alvinegro de Minas para a coleção “Camisa 13”.

Como uma forma de fazer justiça e homenagear esse torcedor-símbolo, a Editora Leitura lançou “Uma Paixão em Preto e Branco”. Trata-se de uma compilação de crônicas de Roberto Drummond no Estado de Minas, todas sobre o Galo. O livro está presente no kit do Atlético na coleção de estreia do selo Paixão entre Linhas.

Quem teve o prazer e a responsabilidade de reunir esses textos foi Alexandre Simões, jornalista com passagens por Estado de Minas e Hoje em Dia, jornais onde cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas e, é claro, muito futebol mineiro.

Veja entrevista com Alexandre Simões, organizador de “Uma Paixão em Preto e Branco”.

Qual a importância de lançar textos de Roberto Drummond sobre o Atlético? Qual a relevância desse autor para a torcida atleticana?

O Roberto Drummond, além de um grande torcedor do Atlético, é o criador da frase mais marcante da história do clube: “Se houver uma camisa branca e preta pendurada num varal durante a tempestade, o atleticano torce contra o vento”.

O que faz do Atlético-MG um clube diferente de todos os outros? Por que o torcedor do Galo deve ter orgulho de seu clube?

O Atlético é um clube que sempre foi carregado pela sua torcida. Desde o início da sua história uma característica é a ligação com a sua gente. E isso acontece não só nos grandes momentos, mas também nas fases mais difíceis. O maior exemplo da paixão do atleticano é o espetáculo que a torcida proporcionou quando o Galo jogou a Série B em 2006, um ano antes do seu centenário. O Atlético é movido pela paixão.

Cite um jogo inesquecível na trajetória do Atlético-MG.

Não há como fugir da vitória de 1 a 0 sobre o Botafogo, no Maracanã, em 19 de dezembro de 1971, que deu ao clube o título de primeiro campeão brasileiro. Este jogo é marcado na história atleticana.

Quais os maiores ídolos da história do clube?

O Atlético tem uma ligação muito grande com o chamado 9. Isso começa lá na metade da décaca de 1920, com o primeiro grande ídolo da história do clube, que foi Mário de Castro, e segue com Guará, Carlyle Guimarães, Ubaldo Miranda, Nilson, Dario, Reinaldo, Valdir e Guilherme. Curiosamente, apesar de não serem o chamado centroavante típico, dois ídolos recentes jogavam com a 9  (Marques e Diego Tardelli). Mas o Galo tem grandes ídolos em todas as posições, jogadores como Kafunga, Zé do Monte, Lucas Miranda, Nívio, Oldair, João Leite, Cerezo, Luizinho, Éder, Nelinho, Taffarel e muitos outros.

No processo de elaboração do livro, houve alguma informação que o surpreendeu?

A maior surpresa que eu tive foi em relação a uma crônica escrita pelo Roberto Drummond dois dias antes da final do Campeonato Brasileiro de 1977, entre Atlético e São Paulo. O Galo era favorito absoluto ao título e ele narra um sonho que teve com Cruyff, o grande craque holandês da década de 1970. E faz um paralelo do Atlético com a seleção da Holanda, que perdeu a Copa de 1974 para a Alemanha, mesmo jogando um futebol muito mais bonito. Parecia um pressentimento, pois o Galo, mesmo favorito e jogando no Mineirão, perdeu o título para o São Paulo, nos pênaltis.

Qual o episódio mais curioso da história do Atlético-MG?

São várias as passagens que merecem destaque. Mas uma delas ficou marcada para sempre, sendo cantada no hino do clube. Em 1950, o Atlético fez uma excursão à Europa e se saiu muito bem apesar de ter jogado várias partidas em campos cobertos de neve. Na volta ao Brasil, o Galo virou o Campeão do Gelo.

Para terminar, o que acha da dobradinha entre futebol e literatura?

O futebol é a maior manifestação cultural do Brasil. E tem uma história muito rica, desconhecida da maioria absoluta da população pela falta de tradição do país na literatura esportiva. Toda e qualquer iniciativa de se levar ao torcedor conhecimento sobre clubes, ídolos, competições, tem de ser elogiada, pois neste resgate da memória estamos reconhecendo e homenageando aqueles que ajudaram a transformar o futebol numa das principais indústrias do mundo, algo que só foi possível justamente pela paixão que o esporte exerce sobre as pessoas.

outubro 22, 2009 at 5:06 pm 2 comentários

Cruzeiro: Rei de Copas

Em um tipo de competição específica, mais do que em outras, o Cruzeiro é o terror dos seus adversários. Nas copas, disputadas predominantemente em mata-matas, o clube celeste conquistou boa parte de seus títulos mais importantes e emocionantes, escrevendo “páginas heroicas imortais” de sua história.

O jornalista Alexandre Simões reuniu as histórias das 11 maiores Copas conquistadas pelo Cruzeiro ao longo de sua trajetória na obra “Rei de Copas”, livro-memória do time de Belo Horizonte na coleção do selo Paixão entre Linhas.

Os bastidores e detalhes das conquistas são contados pelos principais protagonistas das mesmas. Assim, há desde Tostão, que fala sobre a Taça Brasil de 1966, os Palhinhas, que narram os triunfos nas Libertadores de 1976 e 1997, até Alex, o craque da vitória na Copa do Brasil de 2003.

Nesta entrevista, o autor de “Rei de Copas” fala sobre a origem italiana do Cruzeiro, as mudanças no período da 2ª Guerra Mundial, os jogos e títulos mais emocionantes do clube e suas surpresas na elaboração do livro.

E confira abaixo a capa aberta do livro “Rei de Copas”. Vá ao nosso Flickr e veja a capa ampliada.

O que faz do Cruzeiro um clube diferente de todos os outros? Por que o torcedor da Raposa deve ter orgulho de seu clube?

O Cruzeiro tem história. Seus rivais têm tradição. O Palestra Itália nasceu como um clube restrito à colônia italiana de Belo Horizonte. E permaneceu assim entre 1921 e 1925. Os italianos que vieram para Belo Horizonte eram pessoas simples, operários que trabalharam na construção da cidade. A aristocracia era americana e atleticana. América e Atlético já nasceram grandes e durante as suas trajetórias receberam inúmeras ajudas governamentais. O Cruzeiro se fez sozinho e o final da história é a eleição de maior clube brasileiro do século 20 pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS).

Cite um jogo inesquecível na trajetória do Cruzeiro.

Entre os que não vi foram os 6 a 2 sobre o Santos, de Pelé, no Mineirão, na decisão da Taça Brasil de 1966, quando o Cruzeiro quebrou a hegemonia santista na competição. Entre aqueles que presenciei foram os 3 a 0 sobre o River Plate, da Argentina, na partida de volta da final da Supercopa de 1991. Aliás, no Rei de Copas tem um relato emocionante e impressionante do Adilson sobre este jogo.

Quais os maiores ídolos da história do clube?

No período de Palestra Itália foi sem dúvida Niginho. No Independência, Rossi, que inclusive era o ídolo dos garotos Dirceu Lopes e Tostão, que abrem a lista do Mineirão, que conta ainda com Raul, Palhinha, Nelinho, Joãozinho, Ronaldo, Dida, Sorín, Alex e mais um monte de gente

No processo de elaboração do livro, houve alguma informação sobre o clube que o surpreendeu?

O Rei de Copas é voltado exclusivamente para a história das 11 maiores Copas conquistadas pelo Cruzeiro. Mas como citei acima, o Adilson, hoje técnico do time, garantiu que quando saiu o terceiro gol sobre o River Plate, na final da Supercopa de 1991, o gramado do Mineirão tremeu com a vibração da torcida. Anos depois, trabalhando no Japão, ele sentiu sensação parecida em terremotos.

Qual o episódio mais curioso da história do Cruzeiro?

Em 31 de agosto de 1942, um decreto federal exigiu a extinção de símbolos das nações inimigas do Brasil, entre elas a Itália. O presidente da época, Ennes Cyro Pony, marcou uma assembléia para a escolha dos novos nomes e uniformes do Palestra Itália, mas decretou que até lá o time se chamaria Ypiranga, numa homenagem à Independência do Brasil. Os conselheiros preferiram a sugestão de Oswaldo Pinto Coelho, que sugeriu Cruzeiro Esporte Clube e o azul e o branco, por causa do Cruzeiro do Sul, constelação símbolo da pátria. Após a escolha, Pony renunciou e a mudança só aconteceu, oficialmente, em 1943, quando a Federação Mineira de Futebol (FMF) aprovou o novo estatuto do clube.

Para terminar, o que acha da dobradinha entre futebol e literatura?

O futebol é a maior manifestação cultural do Brasil. E tem uma história muito rica, desconhecida da maioria absoluta da população pela falta de tradição do país na literatura esportiva. Toda e qualquer iniciativa de se levar ao torcedor conhecimento sobre clubes, ídolos, competições, tem de ser elogiada, pois neste resgate da memória estamos reconhecendo e homenageando aqueles que ajudaram a transformar o futebol numa das principais indústrias do mundo, algo que só foi possível justamente pela paixão que o esporte exerce sobre as pessoas.

outubro 13, 2009 at 6:21 pm Deixe um comentário


Olá, você está no blog do Paixão entre linhas, um projeto da Editora Leitura que une literatura e futebol e vai surpreender os torcedores dos principais clubes do país.

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